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Colírio que pode substituir os óculos?

A oftalmologia acaba de dar um passo importante rumo a tratamentos menos invasivos e mais práticos.

Recentemente, a FDA (agência reguladora dos Estados Unidos) aprovou um colírio inovador capaz de melhorar a visão de perto, algo que, até então, dependia quase exclusivamente do uso de óculos ou lentes.

Mas será que estamos realmente diante do fim dos óculos? A resposta exige um pouco mais de contexto.

O que é esse novo colírio?

O medicamento aprovado chama-se Vizz, à base de aceclidina 1,44%, e foi desenvolvido para tratar a presbiopia, conhecida popularmente como “vista cansada”.

Essa condição afeta praticamente todas as pessoas a partir dos 40 anos, devido à perda natural da capacidade de foco para objetos próximos.

Além disso, estima-se que cerca de 1,8 bilhão de pessoas no mundo convivam com esse problema, o que torna essa inovação especialmente relevante.

Como o colírio funciona na prática?

Diferente de soluções ópticas tradicionais, o colírio atua diretamente na fisiologia ocular.

Ele provoca uma leve contração da pupila, gerando o chamado “efeito pinhole”, semelhante ao ajuste de foco de uma câmera.

Com isso, há um aumento da profundidade de campo da visão, permitindo enxergar melhor de perto sem comprometer a visão de longe.

Na prática, isso significa que o paciente pode:

  • Ler mensagens no celular
  • Ver etiquetas e rótulos
  • Trabalhar no computador
  • Realizar tarefas manuais

E sem precisar recorrer aos óculos em determinadas situações do dia a dia.

Em quanto tempo faz efeito e por quanto dura?

Os resultados são relativamente rápidos.

Em estudos clínicos, o efeito começou em cerca de 30 minutos após a aplicação, com duração de até 10 horas.

Além disso, aproximadamente 71% dos pacientes apresentaram melhora significativa da visão de perto, chegando a ganhar até três linhas em testes de leitura.

Ou seja, não é uma solução permanente, mas funciona muito bem como um recurso pontual ao longo do dia.

Como usar o colírio?

O protocolo é simples e favorece a adesão:

  • Aplicação: 1 gota em cada olho
  • Frequência: 1 vez ao dia
  • Início de ação: cerca de 30 minutos
  • Duração média: até 10 horas

Em alguns casos, o oftalmologista pode orientar ajustes, como reaplicação ou intervalos específicos, dependendo do perfil do paciente.

Ele substitui os óculos?

Aqui vale um ponto importante: não completamente.

O colírio é mais indicado para situações específicas, como:

  • Momentos pontuais do dia
  • Atividades sociais ou profissionais
  • Uso ocasional, quando não se quer depender dos óculos

Portanto, ele reduz a dependência, mas não elimina totalmente a necessidade, especialmente em casos mais avançados de presbiopia.

Segurança e efeitos colaterais

Os estudos clínicos mostraram um perfil de segurança favorável. Ainda assim, alguns efeitos podem ocorrer:

  • Ardência leve (cerca de 20%)
  • Visão turva temporária (16%)
  • Dor de cabeça (13%)

Em geral, são sintomas leves e transitórios, mas reforçam a importância do acompanhamento médico.

Situação no Brasil

Apesar da aprovação nos Estados Unidos em julho de 2025, o colírio ainda não está disponível no Brasil.

Para chegar ao mercado nacional, ele precisa passar pelo processo de aprovação da ANVISA, o que pode levar algum tempo.

Além disso, o custo ainda é um fator relevante: nos EUA, o tratamento gira em torno de US$ 79 por mês, podendo variar conforme o modelo de uso.

Um novo caminho para a visão

Sem dúvida, esse colírio representa uma mudança interessante na forma como lidamos com a presbiopia. Ele não substitui completamente os óculos, mas amplia as opções e oferece mais liberdade no dia a dia.

Ao mesmo tempo, é fundamental reforçar: cada caso deve ser avaliado individualmente.

A indicação correta, o acompanhamento e a orientação médica continuam sendo essenciais para garantir segurança e bons resultados.

E, ao que tudo indica, esse é apenas o começo de uma nova geração de tratamentos oftalmológicos menos invasivos e cada vez mais personalizados.

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Dra Karen

Atuando na área oftalmológica há mais de 30 anos, é membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, atendendo no pronto socorro e com consultório na unidade Perdizes. Tem vasta experiência em casos clínicos e cirúrgicos e especialização em catarata e cirurgias refrativas. Sempre com um atendimento humanizado, seguro e personalizado, busca constantemente atualização para proporcionar o bem estar do paciente. Especialista em Oftalmologia, com título pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia é membro da Academia Americana de Oftalmologia e da Sociedade Internacional de Cirurgia Refrativa e Catarata. Além disso, ministra aulas em cursos teórico e práticos.

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