Você termina o expediente com os olhos ardendo, vermelhos ou com a sensação de areia?
Se a resposta for sim, saiba que esse desconforto pode estar diretamente relacionado ao tempo que você passa em frente ao computador, celular ou tablet.
Embora muitas pessoas considerem esses sintomas “normais”, eles podem indicar a Síndrome do Olho Seco, uma condição cada vez mais frequente na era digital.
Durante o Julho Turquesa, campanha dedicada à conscientização sobre o olho seco, vale a pena refletir sobre um hábito que faz parte da rotina de praticamente todos nós: o uso prolongado de telas.
Afinal, trabalhar, estudar, assistir a vídeos e conversar pelo celular são atividades que ocupam várias horas do dia. Como consequência, nossos olhos acabam pagando essa conta.
Se você ainda não conhece a doença, confira também o artigo “Julho Turquesa – Mês da Conscientização do Olho Seco“, já publicado aqui e que explica as principais causas, sintomas e formas de tratamento da síndrome.
O que as telas fazem com os nossos olhos?
Quando estamos concentrados em uma tela, piscamos muito menos do que o normal.
Em uma conversa ou durante atividades cotidianas, uma pessoa costuma piscar entre 15 e 20 vezes por minuto. Entretanto, diante do computador ou do celular, essa frequência pode cair para apenas 5 a 7 piscadas por minuto.
Como resultado, a lágrima evapora mais rapidamente e deixa a superfície ocular menos protegida.
Além disso, muitos ambientes de trabalho possuem ar-condicionado constante, baixa umidade do ar e iluminação inadequada.
Esses fatores, somados ao uso contínuo das telas, favorecem ainda mais a evaporação do filme lacrimal.
Consequentemente, surgem sintomas como ardor, vermelhidão, sensação de corpo estranho, visão embaçada e até lacrimejamento excessivo, que pode parecer contraditório, mas é uma resposta reflexa do organismo à irritação ocular.
Quem corre mais risco?
Embora qualquer pessoa possa desenvolver olho seco, alguns grupos apresentam maior predisposição.
Profissionais que passam muitas horas diante do computador, estudantes, motoristas, usuários frequentes de smartphones e pessoas que utilizam lentes de contato costumam apresentar sintomas com maior frequência.
Além disso, mulheres após a menopausa, pessoas acima dos 40 anos e pacientes com algumas doenças sistêmicas ou que fazem uso de determinados medicamentos também merecem atenção especial.
Nesses casos, o excesso de telas pode funcionar como um fator agravante de uma condição que já existe.
Pequenas mudanças fazem diferença
A boa notícia é que algumas medidas simples podem ajudar a reduzir o desconforto durante a rotina.
Uma das recomendações mais conhecidas é a regra 20-20-20: a cada 20 minutos olhando para uma tela, desvie o olhar por pelo menos 20 segundos para um objeto localizado a cerca de 20 pés (aproximadamente 6 metros) de distância.
Esse pequeno intervalo ajuda a relaxar a musculatura ocular e incentiva o piscar natural.
Além disso, procure posicionar o monitor ligeiramente abaixo da linha dos olhos. Dessa forma, a abertura das pálpebras diminui e a evaporação da lágrima tende a ser menor.
Da mesma maneira, manter uma boa hidratação, evitar o fluxo direto do ar-condicionado sobre o rosto e lembrar-se de piscar conscientemente durante atividades prolongadas também contribuem para preservar a lubrificação ocular.
Nem todo colírio resolve o problema
É comum que pessoas com desconforto ocular recorram a qualquer colírio disponível na farmácia. No entanto, essa prática nem sempre é adequada.
Colírios vasoconstritores, utilizados apenas para reduzir a vermelhidão, não tratam a causa do problema e podem até mascarar sintomas importantes.
Em muitos casos, o tratamento envolve lágrimas artificiais específicas, higiene das pálpebras, controle de doenças associadas e, quando indicado, terapias modernas voltadas para melhorar a qualidade da lágrima.
Cada paciente apresenta características diferentes e, por isso, o tratamento deve ser individualizado.
Quando procurar um oftalmologista?
Se os sintomas aparecem com frequência, pioram ao longo do dia ou interferem nas atividades diárias, é importante procurar avaliação oftalmológica.
Embora o olho seco possa parecer apenas um incômodo, ele é reconhecido atualmente como uma doença multifatorial da superfície ocular e, quando não tratado adequadamente, pode comprometer a qualidade da visão e provocar lesões na córnea.
No Julho Turquesa, a principal mensagem é justamente essa: sentir ardor, vermelhidão ou desconforto após horas diante das telas não deve ser encarado como algo normal.
Cuidar dos olhos também significa adaptar hábitos, fazer pausas durante o trabalho e buscar orientação médica sempre que os sintomas persistirem.
Afinal, em um mundo cada vez mais digital, proteger a saúde ocular tornou-se uma necessidade para preservar não apenas o conforto, mas também a qualidade da visão ao longo dos anos.
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