Durante muito tempo, a catarata foi associada à ideia de que era preciso esperar a doença “amadurecer” para realizar a cirurgia. Essa orientação, porém, ficou no passado.
Hoje, a decisão de operar a catarata não depende simplesmente do quanto o cristalino está opaco.
O mais importante é entender quanto a catarata está interferindo na visão e na qualidade de vida do paciente.
O que acontece quando surge a catarata?
A catarata ocorre quando o cristalino, a lente natural do olho, perde progressivamente sua transparência. Com isso, a luz deixa de chegar à retina com a mesma nitidez, e a visão começa a ficar comprometida.
No início, as alterações podem ser discretas. A pessoa pode perceber apenas uma dificuldade maior para enxergar à noite, ler ou identificar detalhes. Além disso, pode notar maior sensibilidade à luz ou halos ao redor das lâmpadas e dos faróis.
Por isso, muitas vezes o paciente se acostuma gradualmente com a perda visual. Ele passa a evitar determinadas situações, aumenta a iluminação para ler, deixa de dirigir à noite ou simplesmente acredita que aquela dificuldade faz parte do envelhecimento.
Mas não precisa ser assim.
É preciso esperar a catarata “amadurecer”?
Não. Não é necessário esperar a catarata ficar muito avançada para considerar a cirurgia.
Atualmente, a indicação é individualizada. O oftalmologista avalia o grau da catarata, a acuidade visual, as características do olho e, principalmente, o impacto da alteração na rotina do paciente.
Por exemplo, uma pessoa que ainda consegue ler uma tabela de visão razoavelmente bem pode apresentar uma dificuldade importante para dirigir à noite por causa de halos e perda de contraste. Nesse caso, apenas o número da acuidade visual não conta toda a história.
Da mesma forma, quem trabalha com leitura, utiliza computador, dirige profissionalmente ou depende de uma boa visão para suas atividades pode sentir os efeitos da catarata antes de outra pessoa.
Quando a catarata começa a afetar a qualidade de vida
A pergunta mais importante não é apenas “quanto eu enxergo?”, mas também “o quanto minha visão está me impedindo de fazer o que quero e preciso fazer?”
Se você deixou de dirigir à noite, aumentou muito a iluminação para ler, sente dificuldade para reconhecer rostos ou percebe que as cores estão menos vivas, vale conversar com um oftalmologista.
Além disso, a catarata pode evoluir de forma progressiva. Por isso, acompanhar regularmente a saúde ocular permite identificar o momento mais adequado para cada paciente.
Como é feita a cirurgia de catarata?
A cirurgia consiste na remoção do cristalino que perdeu sua transparência e na implantação de uma lente intraocular (LIO), que passa a exercer a função óptica do cristalino.
Atualmente, a técnica mais utilizada é a facoemulsificação. Nela, o cristalino é fragmentado e aspirado por meio de ultrassom, através de uma pequena incisão, geralmente com cerca de 3 milímetros. Em seguida, a lente intraocular é posicionada no olho.
Além disso, a evolução das lentes intraoculares permite hoje uma avaliação mais personalizada. Dependendo das características do olho e das necessidades do paciente, existem diferentes opções de lentes, inclusive modelos que podem corrigir determinados graus de miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia.
A cirurgia também pode corrigir o grau?
Em muitos casos, sim. Esse é um dos avanços que mais mudou a experiência dos pacientes.
Durante o planejamento cirúrgico, o oftalmologista realiza medições detalhadas do olho para definir a lente intraocular mais adequada. Assim, além de tratar a catarata, o procedimento pode reduzir determinados erros refrativos e, em situações selecionadas, diminuir bastante a dependência dos óculos.
Entretanto, a escolha da lente não deve ser baseada apenas na promessa de “ficar sem óculos”. Cada olho tem características próprias, e a indicação precisa considerar idade, rotina, saúde ocular, expectativas e outros fatores clínicos.
Quanto antes, melhor?
Não existe uma regra de que toda catarata deve ser operada imediatamente. Da mesma forma, não faz sentido esperar que a visão fique muito comprometida apenas porque a catarata ainda não é considerada “madura”.
O momento adequado é aquele em que os benefícios esperados da cirurgia passam a compensar seus riscos, sempre após uma avaliação oftalmológica individualizada.
A cirurgia de catarata está entre os procedimentos mais realizados na oftalmologia e apresenta altos índices de sucesso. Ainda assim, como qualquer cirurgia, exige avaliação, planejamento e acompanhamento médico adequados.
Enxergar bem também é qualidade de vida
A visão participa de tarefas simples e essenciais: ler, dirigir, caminhar com segurança, trabalhar, reconhecer pessoas e aproveitar momentos com a família.
Por isso, não é necessário esperar a catarata comprometer profundamente sua rotina para procurar orientação.
Se você percebeu mudanças na visão, principalmente dificuldade para enxergar à noite, visão embaçada, halos ao redor das luzes ou perda de qualidade visual, marque uma avaliação oftalmológica.
Catarata tem tratamento. E o melhor momento para tratar é uma decisão que deve ser tomada junto com o seu oftalmologista, considerando não apenas seus olhos, mas também a vida que você quer continuar enxergando com clareza.



